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ELEIÇÕES NOS EUA E OS EFEITOS DELA NO BRASIL.

No final do mês de agosto,  realizamos comentário intitulado “Na Era da Demagogia, os Resultados são Verificados Tardiamente”.  No texto  abordamos a saída do Reino Unido  da Comunidade Econômica Europeia, o chamado Brexit, sendo essa decisão o resultado de uma pesquisa popular, uma votação, que teve como ponto principal no processo o placar  apertado de 51,89% contra a permanência do Reino Unido na União Europeia e 48,11% a favor dessa permanência.

Após a votação, os eleitores expressaram posicionamentos confusos, admitindo não terem entendido, detalhadamente, os impactos prós e contras de seu voto. Os discursos demagógicos e populistas pautaram a campanha que resultou nessa decisão que foi recebida como uma grande surpresa. A saída prevista até o próximo mês de março, tem ainda hoje contornos duvidosos, como a decisão do Superior Tribunal de Londres que indicou ser a saída possível somente após posicionamento do Parlamento, assunto que está sendo tratado pelo Governo Britânico

O fato é que o resultado do referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia foi uma surpresa, e logo após o resultado muitos tinham dúvidas sobre o impacto desse resultado. A impressão é que a demagogia se sobre saiu ao bom senso dos esclarecimentos e informações claras a população dos efeitos de uma decisão desse porte.

Passados pouco mais de três meses dessa ocorrência temos outra que realmente abala as estruturas do bom senso e das pesquisas. A eleição de Donald Trump a presidência dos Estados Unidos, deixou o Brexit no final da fila em termos de surpresa vinda de uma decisão popular. Além das gafes e dos comentários muitas vezes sem qualquer lógica e sentido em uma campanha presidencial, o discurso de Trump esteve calcado, no que também são identificadas como medidas populistas mais elitizadas,  como por exemplo,  alterar o Obamacare que é a lei de proteção a paciente e serviços de saúde, base para a criação de um sistema universal de saúde nos Estados Unidos. A alegação de Trump é que os gastos do sistema são altos e os resultados não favoráveis. Outra proposta é desregulamentar das instituições financeiras  permitindo aos bancos a realização de empréstimos. Hoje existem normas regulatórias que não permitem esse acesso a recursos sem atender regras de fiscalização e informações dos bancos ao Governo, isso como resultado da  crise ocorrida em 2008.  Outra proposta base na campanha de Trump é garantir a segurança das fronteiras evitando o tráfico de drogas e a imigração ilegal, trata-se da famosa proposta de construção de um muro.

Similar ao discurso do Brexit que pregava o não a imigração e a consequente segurança e manutenção dos empregos, passados três meses temos mais uma surpresa, quase que com o mesmo tom.

A preocupação de todas as economias emergentes, ou não emergentes, está no discurso com metas populistas. Corte de impostos associado ao aumento de gastos relacionados a infraestrutura pode levar a crescimento da inflação, o que resultará em juros mais altos nos Estados Unidos. Em contrapartida fala-se em aumento da taxação tributária para os produtos de empresas americanas vendidos nos EUA mas que mudaram para outros países onde os custos de manufatura são mais baratos. Indiretamente é uma forma de se manter o nível de emprego local. No embalo desse perfil de política cuja meta diz-se é a geração de empregos, há a indicação de que os EUA abandonarão o acordo do clima, principalmente para focarem esforços no aumento da produção e consequente consumo de petróleo matéria prima para vários processos industriais.

Em resumo, aquilo que parecia consenso e bem encaminhado quanto a acordos internacionais de clima, comércio, segurança, etc...., tornou-se uma espécie de  “novo Brexit”  três meses após o original, ou seja, surpresa total em uma manifestação da população através do seu voto.

O impacto para países emergentes, como o Brasil, nesse primeiro momento parece ser mais psicológico, ou seja, ainda não temos nenhuma ação efetiva e  concreta do que será o Governo Trump, temos sim muitos comentários alardeados na campanha política, mas o mercado adianta consequências como se ações já tivessem sido tomadas. Fato é que se houver aumento da taxa de juros nos EUA por conta de uma possível inflação, isso devido ao aumento de gastos do Governo por todas as políticas já mencionadas de geração de emprego e renda, é fato que moedas emergentes serão pressionadas. A precaução está em analisar a médio e longo prazo o fluxo reverso de capitais.

Para as nossas empresas, neste momento, a atenção deve ficar atrelada ao controle das despesas financeiras, considerando dívidas em moedas conversíveis, principalmente o dólar, e a mutação dos juros. Assim, neste final de ano, as empresas devem estar atentas ao efeito financeiro do resultado das eleições nos EUA.

Para o próximo ano, ações do Governo Trump devem ser analisadas com detalhe, buscando entender o seu impacto nas operações locais.

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