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O CUSTO BRASIL E SEUS COMPONENTES

É fato que o incremento de atividade produtiva e a consequente alavancagem dos negócios são combustíveis para o País sair da crise. Mas,  por outro lado, quando se analisa a possibilidade de incremento da produção industrial, ou mesmo do comércio, nos deparamos com situações, há muito listadas no rol do chamado “Custo Brasil”.

A complexa e alta carga tributária, a questão não menos complexa da relação laboral envolvendo empregadores e empregados, a questão relacionada a infraestrutura no que se aplica a distribuição de produtos independente do modal de transporte utilizado no processo,  e a burocracia da máquina pública são componentes  desse desembolso extra a ser considerado na operacionalização de determinada atividade.

Fatores como esses emperram ações de investimento, pois ao serem colocados no papel e  valorizados com base em muita pesquisa, indicam um adicional de custos e despesas que podem tornar o projeto não atrativo.

Neste cenário e com esses componentes não muito favoráveis o que deve ser feito? Imaginamos que ações de curto prazo devem ser tomadas para que tenhamos um reaquecimento nas operações comerciais e um ciclo com resultados dependentes e diretamente interligados possa surgir. Talvez a flexibilização de linhas de créditos dosadas entre consumidor e industrial investidor possa trazer resultados ao ciclo consumo e investimento produtivo para atender a demanda do mercado. O investimento governamental em obras importantes de infraestrutura e que possam ter em sua execução parcela significativa de valor agregado em termos de participantes e fornecedores locais, também é uma boa alternativa. A privatização de operações custosas e pouco rentáveis ao Governo é tópico que pode trazer bons resultados, mas sempre atrelado a condicional de baratear o valor cobrado pelos serviços e a geração de emprego local.

Por outro lado, aspectos relacionados a reforma tributária, trabalhista e previdenciária, componentes desse custo, são itens de análise e solução de longo prazo. Existem muitos interesses e até mesmo questões legais envolvidas nesses assuntos. Qualquer solução para eles deve ter invariavelmente um período de transição, até sua implantação definitiva, para não ferir direitos adquiridos e poder propiciar ajustes de orçamentos, definição de novas metas, e identificação de alternativas para cobrir perdas.

Em termos do chamado “Custo Brasil”, é necessário que tenhamos respostas mais rápidas e que sejam legalmente suportadas e atrativas em outros aspectos,  pois esses  vinculados a tributos, ralação de trabalho e previdência, tudo indica, permanecerão durante muito tempo como componentes dessa estrutura de custeamento operacional excessivo.

Nesse emaranhado de situações e necessidades urgentes de implementar correções temos ações já em curso. Equilíbrio das contas públicas é uma delas, a firme proposta de não aumentar  impostos é outra, a volta da estabilidade política e o propósito agora  público de luta contra a corrupção é mais uma. Porém, há a necessidade de se  urgenciar outras ações de incentivo a  produção e ao consumo para que o giro modesto da economia crie corpo e traga resultados na geração de emprego e renda.

Até hoje convivemos com o “Custo Brasil”, solucioná-lo em sua plenitude está no campo da utopia, resta fazer a economia girar de forma que ele passe meio que desapercebido dentro dos controles dos negócios como ocorreu até hoje e, partir daí, devemos trabalhar seriamente nas reformas que precisam ser feitas não pensando no interesse de um grupo reduzido mas no interesse de todos, esse é o caminho para trabalharmos com custos reais, sem agregados desnecessários de desembolsos que impactam somente em um componente final - o consumidor.

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